Atenção aos apoios

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Desde o momento em que abrimos os olhos, ao acordar, até a hora de dormir, nossa atenção se volta a maior parte do tempo para fora. Sem perceber, passamos horas no celular, no computador, na TV; oferecemos e demandamos cuidados de outras pessoas; nos esforçamos – muitas vezes para além de nossos limites – para conquistar algum objetivo que consideramos importante. Estamos sempre em busca de estímulos externos para nos sentir vivxs e recompensdxs.

Em meio a tantas demandas e cobranças, tornam-se cada vez mais escassos os momentos em que paramos para levar essa atenção pra dentro e nos observar internamente. Já parou para pensar como você se sustenta e no que você se ampara? Quais são os seus apoios? 

Seja na ação ou na inação, contamos sempre com diferentes formas de apoio para (sobre)viver no mundo. 

Em todo movimento, há uma troca constante de apoios. Mesmo quando achamos que estamos paradxs, nosso corpo está o tempo inteiro transferindo pesos na busca de um ponto de equilíbrio. Observe-se por um instante quando estiver em pé ou sentadx: que apoios você usa pra se sustentar nessa posição? Você percebe algum movimento? O que está ativo, o que está relaxado? E o que está colapsado? Como distribui seu peso nesses apoios? Existe algum desequilíbrio? Você sente alguma dor? Que ângulos os apoios formam e como se relacionam entre si? Eu empurro minha base pra baixo ou ela me empurra para cima?

Existe uma ideia tradicional de que os nossos ossos se empilham para nos sustentar. Mas se a gente reparar bem, eles nem chegam a se tocar entre si: os ossos flutuam nos músculos e na fáscia. Na gravidade, eles cedem; quem resiste, e de forma bem orgânica, são justamente esses tecidos que o envolvem. Mas será que às vezes não não contamos demais com nossa estrutura óssea e sobrecarregamos suas articulações? Ou, ao contrário, acabamos colocando esforço demais nesse resistir e tensionamos nossa musculatura em excesso? Quando isso acontece, enrijecemos tudo na nossa vida: respiração, movimento, emoções e até pensamentos. 

Agora, observe-se numa posição de relaxamento, em que você não precisa mais se sustentar – deitadx, por exemplo. Onde estão os meus apoios? Como eles se relacionam com minha base? Me sinto confortável? O quanto consigo me entregar? Para muitas pessoas, entregar-se é mais difícil do que se imagina. Quando queremos estar sempre no controle de tudo, deixamos de confiar nos nossos apoios e não nos permitimos um ato tão simples e necessário que é o relaxar. 

Sair do automático e levar a atenção para todas essas estruturas internas é importante para ampliar e refinar as suas funções. Além disso, ao compreendemos nossas capacidades e limitações, aprendemos a não entrar em zonas de perigo, e passamos a nos mover de forma muito mais eficiente, segura, natural, integrada e sem sofrimento – e isso passa a refletir em tudo que fazemos na vida.

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